Mapa do Arranjo 3.0

Rafael Oliva

Mapa do Arranjo 3.0

Harmonia funcional aplicada na prática

Rafael Oliva

Edição revista e ampliada · 2026 · @rafaeloliva_oficial

Apresentação

Eu escrevi este material visando a prática da harmonia, em especial, para o músico que toca instrumento melódico, porque percebi que todo método de harmonia mirava no músico que tocava um instrumento harmônico, isso de certa forma não é errado, mas é possível aprender harmonia sem tocar um instrumento harmônico, e aplicar a prática harmônica num instrumento melódico e, sobretudo, na prática da criação de arranjo. Ressalto que se você já toca um instrumento harmônico, será bem-vinda essa prática, mas não é condicional.

O Mapa do Arranjo parte do intervalo, a menor unidade da harmonia, e segue sempre na mesma lógica: cada capítulo dá o pedaço que sustenta o próximo. Um exemplo do tipo de conexão que você passa a enxergar: o acorde substituto funciona porque guarda o mesmo trítono do dominante que ele substitui, e isso só faz sentido depois que você já sabe o que é trítono e o que é dominante.

Este material resolve um problema específico: o músico que se perde com o excesso de informação, mas depois do Mapa, quando você abre uma cifra, consegue dizer qual a função de cada acorde, sua escala, de onde ele veio e para onde ele puxa. Você para de decorar e passa a ler o caminho que o compositor tomou.

O Mapa é para aplicação de músicas de qualquer instrumento, é harmonia funcional aplicada na prática, não teoria solta. Cada capítulo vem com exercício para fazer no papel e tocar depois, e o material fecha com um bloco de múltipla escolha e a correção comentada de tudo, para você conferir se entendeu antes de seguir.

O que você tem em mãos é o percurso inteiro, do intervalo aos modos, com o exercício e a correção de cada etapa, para você seguir num ritmo próprio sem perder o fio.

Sumário
Como usar esta apostila

Os capítulos seguem uma ordem que não é arbitrária. Intervalos vem primeiro porque é a unidade de medida de tudo depois: acorde é intervalo empilhado. Cifragem vem em seguida para você trocar o nome das notas (dó, ré, mi) pela cifra em letra (C, D, E) que vai usar dali para frente. Formação de Acordes ensina tríade e tétrade a partir da sobreposição de terças. Inversão dos Acordes mostra o mesmo acorde em outra ordem de notas. Tonalismo entra depois porque só faz sentido com acorde formado na mão. Campo Harmônico Maior organiza os acordes diatônicos em funções (tônica, subdominante, dominante). Dominante Principal e Secundário, Acorde Substituto, Par Cadencial e Modos vêm por último porque dependem de tudo o que veio antes.

Não pule capítulo. Um SubV só faz sentido se você já sabe o que é trítono e o que é dominante.

Como usar os exercícios:

Antes de começar, você precisa saber ler cifra básica e ter um instrumento à mão, ainda que seja um teclado virtual no celular. Regra de ritmo: não avance de capítulo sem tocar o que acabou de aprender. Harmonia que só existe no papel não vira música.

Como ler os exemplos e as cifras

No capítulo de Intervalos, as notas aparecem pelo nome (dó, ré, mi). A partir do capítulo de Cifragem, elas passam a aparecer em cifra: A é lá, B é si, C é dó, D é ré, E é mi, F é fá, G é sol. Essa troca é proposital: o material te tira do nome da nota e te coloca na cifra que circula entre músicos.

Uma cifra tem sempre a mesma leitura: fundamental primeiro (a letra), depois a qualidade do acorde (maior, m de menor, 7 de dominante, 7M de sétima maior, º de diminuto), depois a extensão entre parênteses quando houver (9, #11, b5), e por fim, se houver uma barra, o baixo que vem depois dela é outra nota que não a fundamental, por exemplo num acorde invertido.

Nos exemplos de par cadencial, a apostila usa três símbolos:

SímboloLeitura
seta cheiaresolução do dominante
seta tracejadaresolução do SubV
colchetemarca o par cadencial

Nas partituras de exemplo, leia o acorde de cima para baixo como uma pilha de terças: fundamental na base, depois 3ª, 5ª, 7ª e as tensões quando houver. A ordem em que as notas aparecem na pauta pode mudar (é a inversão), mas a cifra acima do pentagrama sempre te diz qual é a fundamental real do acorde, mesmo quando ela não está no baixo.

Partitura ou exemplo musical
01

INTERVALOS

Neste capítulo as notas aparecem pelo nome (dó, ré, mi). A cifra em letra (A = lá, B = si) e a tipologia dos acordes vêm no capítulo seguinte.

O que é um intervalo

Intervalo é a distância entre duas notas. É a unidade de medida da harmonia: acorde é intervalo empilhado, tensão é intervalo, condução de vozes é intervalo.

Intervalo melódico: as notas soam uma depois da outra.

Intervalo harmônico: as notas soam juntas. É aqui que a harmonia começa.

Número e qualidade

Todo intervalo carrega duas informações: o número e a qualidade.

O número é a contagem dos nomes de nota, incluindo as duas pontas. De dó a mi: dó (1), ré (2), mi (3), portanto uma terça. De dó a sol são cinco nomes, portanto uma quinta.

O número olha o nome da nota, não a alteração. De dó a mi e de dó a mib, as duas são terças.

A qualidade é o tamanho exato do intervalo, e se divide em duas famílias:

FamíliaQualidade base
2ª, 3ª, 6ª e 7ªmaior ou menor
4ª, 5ª e 8ªjusta

Como uma qualidade se transforma na outra:

Maior mais meio tom vira aumentada. Maior menos meio tom vira menor. Menor menos meio tom vira diminuta.

Justa mais meio tom vira aumentada. Justa menos meio tom vira diminuta.

Tabela de referência

Contando em semitons a partir de dó:

SemitonsIntervaloExemplo
0uníssonodó, dó
12ª menordó, réb
22ª maiordó, ré
33ª menordó, mib
43ª maiordó, mi
54ª justadó, fá
64ª aumentada ou 5ª diminuta (trítono)dó, fá# ou dó, solb
75ª justadó, sol
85ª aumentada ou 6ª menordó, sol# ou dó, láb
96ª maior ou 7ª diminutadó, lá ou dó, sibb
107ª menordó, sib
117ª maiordó, si
128ª justadó, dó

Os intervalos que montam o acorde

IntervaloO que ele define
3ª maior ou 3ª menorse o acorde é maior ou menor
5ª justa, diminuta ou aumentadao estado da tríade
7ª maior, menor ou diminutaa tétrade e, com ela, a função no sistema tonal

O trítono

Seis semitons, três tons inteiros. Dentro da tétrade dominante, o trítono é a distância entre a 3ª e a 7ª: em G7, entre si e fá.

É esse intervalo que gera a instabilidade que puxa o acorde para o repouso. Sem trítono não existe tonalismo, e por isso ele volta em todos os capítulos daqui para a frente.

Intervalo invertido: a regra do 9

Leve a nota de baixo uma oitava acima e o intervalo se inverte. Duas coisas acontecem ao mesmo tempo:

1. Os números somam 9. A 3ª vira 6ª, a 2ª vira 7ª, a 4ª vira 5ª.

2. Maior vira menor, menor vira maior, aumentada vira diminuta. Justa continua justa.

Exemplo: de dó a mi é 3ª maior. Invertido vira de mi a dó, que é 6ª menor.

É essa regra que sustenta a inversão dos acordes, capítulo à frente.

Intervalos compostos: as tensões

Passou da oitava, o intervalo é composto. Some 7 ao intervalo simples:

2ª mais oitava é 9ª. 4ª mais oitava é 11ª. 6ª mais oitava é 13ª.

9ª, 11ª e 13ª são as tensões que enriquecem a tétrade sem alterar a função dela.

Exercícios de Intervalos

1. Em Dó maior, escreva à mão os intervalos de 3ª maior, 5ª justa e 7ª maior a partir da tônica.

2. Em Fá maior, conte os semitons entre a fundamental e a 3ª do acorde F7M e classifique o intervalo.

3. Em Ré maior, escreva o trítono do dominante A7 e diga entre quais graus do acorde ele está.

4. Inverta o intervalo sol, si. Escreva o resultado e classifique.

5. Em Sib maior, escreva a 9ª, a 11ª e a 13ª sobre o acorde Bb7M.

Múltipla escolha: Intervalos

0 de 4 respondidas

1. De dó a mib, quantos semitons e qual a classificação?

2. Em Dó maior, o trítono do acorde G7 está entre quais notas?

3. Invertendo a 5ª justa de dó a sol, o resultado é:

4. Em Fá maior, a 7ª do acorde F7M está:

02

CIFRAGEM

CIFRAS MUSICAIS:

A= LÁ

B= SI

C= DÓ

D= RÉ

E= MI

F= FÁ

G= SOL

TIPOLOGIA DOS ACORDES

SISTEMA QUE ADOTAREMOS NO CURSOOUTRAS OPÇÕES DE CIFRAS CORRESPONDENTES
X7M – maior com 7ª maior (fund., 3, 5, 7M);X∆; X∆7; XMaj7; XMa7
X7M(#5) – maior com 7ª maior e a 5ª aumentada (fund., 3, #5, 7M);X∆7(#5); X∆7(+5); XMaj7(#5); XMa7(+5)
X7 - dominante (fund., 3, 5, 7);X7
X7(#5) – dominante com a 5ª aumentada (fund., 3, #5, 7);X7+; X7(+5)
X7(b5) – dominante com a 5ª diminuta (fund., 3, b5, 7);X7(-5)
X7 sus4 – (fund., 4, 5, 7);X7sus; X7sus11
X7(b5)(#9) - dominante alterada (fund., 3, b5, 7, #9);X alt
Xm7 – menor com 7ª menor (fund., b3, 5, 7);X-7; Xmin7
Xm(7M) – menor com 7ª maior (fund., b3, 5, 7M);Xm∆; X-∆; Xm(∆7); Xm(+7); Xm(Maj7)
Xm7(b5) – meio diminuto (fund., b3, b5, 7);; Xø7; X-7(b5); Xm7(-5)
- diminuto (fund., b3, b5, 7dim);Xdim; X˚7
03

FORMAÇÃO DE ACORDES

A sobreposição de terças de uma escala gera:

Tríades (3 notas)

Tétrades (4notas)

Tensão: intervalos de 9ª, 11ª e 13ª que, somados as tétrades, enriquecem o acorde sem modificar a função do mesmo.

Tríades

As tríades são a estrutura mais simples da Harmonia e por isso é o ponto inicial para estudarmos os acordes. Por conta disso, a tríade não define o acorde por completo.

As tríades podem ser:

Tríade MaiorTríade MenorTríade AumentadaTríade Diminuta

Partitura ou exemplo musical

Fund., 3ª maior e 5ªjFund., 3ª menor e 5ªjFund., 3ª maior e 5ªaFund., 3ª menor e 5ªd

Exercícios de Tríades

Múltipla escolha: Tríades

0 de 1 respondidas

5. Quais são as notas da tríade de ?

Tétrades

As tétrades são as tríades acrescidas da 7ª do acorde (4 notas). Elas são a estrutura mais importante para definição das funções do sistema tonal.

As tétrades podem ser:

Maior com 7ªM7ª Maior com 5ª AumMenor com 7ªmMenor com 7ªMDiminuto

Partitura ou exemplo musical

Fund., 3ªM,5ªj e 7ªMF., 3ªM, 5ªa e 7ªMF., 3ª men, 5ªj e 7ªmF., 3ª men, 5ªj e 7ªMF., 3ª men, 5ªd e 7ªd

Meio-diminutoMaior com 7ªm7ªm com 5ª Aum.7ªm com 5ª Dim

Partitura ou exemplo musical

Fund., 3ªm,5ªd e 7ªmF., 3ªM, 5ªJ e 7ªmF., 3ªM,5ªa e 7ªmF., 3ªM, 5ªd e 7ªm

*BÔNUS:

Tríade Maior + 6ªTríade Menor + 6ªMaior com 7ªm com a suspenção da 3ª para 4ª.

Partitura ou exemplo musical

Fund., 3ªM,5ªJ e 6ªMFund., 3ªm,5ªJ e 6ªMFund., 4ª, 5ªJ e 7ªm.

Exercícios de Tétrades

Múltipla escolha: Tétrades

0 de 2 respondidas

6. Quais são as notas da tétrade de F#m7(b5)?

7. A tétrade de G7M é formada por sol, si, ré e fá#. Qual nota precisa ser alterada para transformá-la em G7?

04

INVERSÃO DOS ACORDES

ESTADO DOS ACORDES

Tônica – é o primeiro grau da tonalidade. Os demais graus são organizados a partir dela. É a nota central da tonalidade.

Fundamental – é a nota que dá nome ao acorde. Quando ela está no baixo, o acorde está no estado fundamental.

Baixo - é a nota mais grave do acorde independente de sua inversão.

Inversão de acordes

É quando a nota mais grave do acorde é invertida para 3ª,5ª ou 7ª do acorde.

As tríades possuem 2 inversões:

Partitura ou exemplo musical

Posição fundamental1ª inversão (3ª no baixo)2ª inversão (5ª no baixo)

* As tríades com (add 9) e (add6) possuem também 2 inversões ex: C(add9), C6.

As tétrades possuem 3 inversões:

Partitura ou exemplo musical

Posição fundamental1ª inv. (3ª no baixo)2ª inv (5ª no baixo)3ª inv (7ª no baixo).

Múltipla escolha: Inversões

0 de 2 respondidas

8. A tétrade de Ab7M é formada por láb, dó, mib e sol. Em que estado está o acorde escrito Ab7M/C?

9. Quantas inversões possui o acorde Bb6?

05

TONALISMO

SISTEMA TONAL

É um sistema musical que estabelece as relações de movimento e repouso geradas pela combinação das notas de escalas heptatônicas e pelos acordes delas gerados.

Escala de Dó Maior verticalizada:

Partitura ou exemplo musical

Graus mais importantes da Harmonia Funcional:

Partitura ou exemplo musical

O real sentido do Sistema Tonal é resolver o trítono (intervalo que aparece entre o quarto e o sétimo graus).

Resolução do trítono:

Partitura ou exemplo musical

O movimento cadencial na Harmonia Tonal segue sempre a mesma ideia: tensão e repouso. O acorde de movimento pede resolução e o de repouso entrega. É o que acontece na cadência completa: a subdominante e a dominante fazem o movimento, a tônica faz o repouso.

TENSÃO – RELAXAMENTO

Essa sensação é encontrada através dos acordes gerados das escalas maiores e menores.

Movimento-repouso (Escala Maior):

Onde três notas são repouso e as outras quatro notas da escala são consideradas notas de movimento. E essa é a relação básica para o sistema tonal.

Partitura ou exemplo musical

O segundo grau (ré) resolve no primeiro (dó) ou terceiro (mi).

O quarto grau (fá) resolve no terceiro (mi).

O sexto grau (lá) resolve no quinto (sol).

O sétimo grau (si) resolve no primeiro (dó).

Múltipla escolha: Tonalismo

0 de 2 respondidas

10. Na tonalidade de Ré maior, entre quais notas aparece o trítono que o sistema tonal existe para resolver?

11. Na tonalidade de Fá maior, o trítono é formado por sib e mi. Essas duas notas resolvem respectivamente em:

06

CAMPO HARMÔNICO MAIOR (acordes diatônicos)

A sobreposição de terças numa escala diatônica gera acordes nessa mesma escala os quais denotam as sensações do tonalismo (movimento - repouso).

Campo harmônico em tríades

Partitura ou exemplo musical

Campo harmônico em tétrades

Partitura ou exemplo musical

FUNÇÕES TONAIS

Existem apenas três funções no sistema tonal:

TÔNICA (primeiro grau) – denota repouso e norteia dos demais acordes.

DOMINANTE (quinto grau) – denota movimento, sendo o acorde que mais interage com a tônica.

SUBDOMINANTE (quarto grau) – intermedeia a tônica e a dominante, equilibrando sistema.

Os outros acordes da escala são nomeados com as três funções disponíveis veja:

II- Função subdominante;

III- Função tônica (antirrelativa);

VI- Função tônica* (relativa) e

VII- Função dominante.

* Se for precedido por um acorde de função subdominante, passa a ter função de subdominante antirrelativa

Resumo das funções:

TÔNICA – I, III e VI graus.

SUBDOMINANTE – IV, II e VI* graus.

DOMINANTE – V e VII graus.

Tensões nos Acordes do Campo Harmônico Maior

Partitura ou exemplo musical

Exercícios do Campo Harmônico Maior

Múltipla escolha: Campo Harmônico Maior

0 de 4 respondidas

12. No campo harmônico em tétrades de Réb maior, qual é o acorde do VII grau e qual a sua função tonal?

13. Na tonalidade de Lá maior, quais são os acordes com função de dominante?

14. Na tonalidade de Mib maior, quais são os dois acordes que exercem função de subdominante de forma fixa?

15. Na tonalidade de Sib maior, quais são os acordes com função de tônica?

07

DOMINANTE PRINCIPAL E DOMINANTE SECUNDÁRIO.

Dominante principal ou primário é o dominante da tônica.

Dominante secundário são os dominantes de todos os outros acordes (perfeitos maiores e menores) gerados da escala diatônica. Embora esses dominantes não sejam diatônicos a escala, eles expandem a Harmonia Tonal por conta das notas cromáticas.

Na escala de Dó Maior todos os acordes aceitam seu dominante secundário (exceto o sétimo grau).

Cinco alterações, tendo como base a escala de dó maior, na formação dos dominantes secundários.

Partitura ou exemplo musical

Cada nota acima é a sensível do acorde a ser resolvido meio-tom acima, (gerando os dominantes secundários). Exceção é o Sib que não é sensível e resolve meio abaixo.

Veja o quadro completo dos dominantes secundários abaixo:

Partitura ou exemplo musical

RELAÇÃO ESCALA / ACORDE - DOMINANTES SECUNDÁRIOS E PRINCIPAL DO CAMPO HARMÔNICO MAIOR:

As escalas dos acordes dominantes secundários são encontradas no quinto grau da escala maior (para acordes maiores) e no quinto grau da escala menor harmônica (para acordes menores); e essas escalas são chamadas de Mixolídia e Mixolídia (b9)(b13), respectivamente. Exemplo do Campo Harmônico de Dó maior.

Partitura ou exemplo musical

Exercícios de Dominantes Secundários

Partitura ou exemplo musical

Múltipla escolha: Dominantes Secundários

0 de 3 respondidas

16. No campo harmônico de Sol maior, qual acorde NÃO aceita dominante secundário?

17. Na tonalidade de Fá maior, qual é o dominante secundário de Gm7?

18. Na tonalidade de Dó maior, qual é a escala do acorde A7, dominante secundário de Dm7?

08

ACORDE SUBSTITUTO

O acorde substituto ou mais conhecido como SubV é um acorde maior com a 7ª menor ele é aquele que substitui o dominante real, essa permuta só é possível, pois ambos os acordes dominantes possuem o mesmo trítono, uma outra característica do SubV é que ele se encontra a uma 2ª menor acima da resolução e por isso também é conhecido como Dominante cromático (por resolver meio tom abaixo).

SubV e dominante alterado são o mesmo som: Db7(#11) e G7 alterado têm exatamente as mesmas notas. O que muda é a nota do baixo, que serve de referência. A escala alterada é: fundamental, b9, #9, 3ª, b5, #5 e 7ª.

Partitura ou exemplo musical

Veja abaixo a relação escala / acorde dos acordes substitutos dos dominantes secundários no campo harmônico maior.

Exercícios do Acorde Substituto

Partitura ou exemplo musical

Múltipla escolha: Acorde Substituto

0 de 1 respondidas

19. Na tonalidade de Dó maior, qual é o acorde substituto (SubV) de G7, e por que a troca é possível?

09

PAR CADENCIAL

É a cadência que possui as 3 funções do sistema tonal (subdominante, dominante e tônica). É a cadência mais utilizada na música popular.

Também serve para desdobrar a cadência de dominante, tônica para: subdominante, dominante e tônica.

Veja os exemplos dos pares cadenciais nos dominantes secundários do campo harmônico maior

Partitura ou exemplo musical

Exercícios do Par Cadencial

Partitura ou exemplo musical
Partitura ou exemplo musical

Múltipla escolha: Par Cadencial

0 de 1 respondidas

20. Na tonalidade de Mi maior, qual sequência forma o par cadencial que resolve em E7M?

10

MODOS

Exercícios de Modos

11

Correção dos Exercícios

Tríades

Tétrades

Campo Harmônico Maior

Dominantes Secundários

Acorde Substituto

Par Cadencial

Modos

Múltipla escolha (questões 1 a 20)

Glossário

Acorde substituto (SubV) - acorde maior com sétima menor que substitui o dominante real porque guarda o mesmo trítono dele. Fica a uma 2ª menor acima da resolução, por isso também é chamado de dominante cromático.

Baixo - a nota mais grave do acorde, independente de estar invertido ou não.

Campo harmônico - o conjunto de acordes gerados pela sobreposição de terças dentro de uma escala, um acorde para cada grau.

Cifra - o jeito de escrever um acorde usando letra (fundamental), símbolo de qualidade e, se houver, extensão e baixo depois da barra.

Dominante (função) - quinto grau do campo harmônico, denota movimento, é o acorde que mais interage com a tônica.

Dominante cromático - outro nome para o SubV, porque ele resolve meio tom abaixo em vez de puxar como dominante comum.

Dominante principal - o dominante da tônica da tonalidade, o quinto grau.

Dominante secundário - dominante de qualquer outro acorde do campo harmônico que não a tônica, criado por empréstimo cromático.

Escala alterada - escala usada sobre o dominante alterado ou o SubV: fundamental, b9, #9, 3ª, b5, #5 e 7ª.

Estado do acorde - se a fundamental está no baixo (estado fundamental) ou se outra nota do acorde ocupa o baixo (estado invertido).

Fundamental - a nota que dá nome ao acorde.

Função tonal - o papel que um acorde cumpre dentro do sistema tonal: tônica, subdominante ou dominante.

Intervalo - a distância entre duas notas, a unidade de medida da harmonia.

Intervalo composto - intervalo maior que uma oitava, é a base das tensões (9ª, 11ª, 13ª).

Intervalo harmônico - quando as duas notas do intervalo soam juntas.

Intervalo melódico - quando as duas notas do intervalo soam uma depois da outra.

Inversão - quando a nota mais grave do acorde deixa de ser a fundamental e passa a ser a 3ª, a 5ª ou a 7ª.

Modo - cada uma das sete escalas geradas a partir das notas de uma escala maior, começando de um grau diferente.

Múltipla escolha - bloco de questões de fechamento de cada capítulo (e um bloco geral de 20 questões no fim da apostila), com correção comentada ao final.

Número (do intervalo) - a contagem dos nomes de nota entre as duas pontas do intervalo, sem olhar alteração.

Par cadencial - a cadência que reúne as três funções do sistema tonal (subdominante, dominante e tônica), a mais usada na música popular.

Qualidade (do intervalo) - o tamanho exato do intervalo: maior, menor ou justa, conforme a família.

Regra do 9 - a regra que dá o nome do intervalo invertido: some o número do intervalo original com o do invertido e o resultado é sempre nove.

Rearmonização - trocar os acordes de uma música por outros que dizem a mesma coisa de um jeito diferente, sem que a melodia perceba.

Sensível - a nota que puxa por meio-tom para a resolução, base da lógica dos dominantes secundários.

Sistema tonal - sistema musical que organiza as relações de movimento e repouso geradas pelas notas de uma escala e pelos acordes dela.

Subdominante (função) - uma das três funções tonais, ponte entre a tônica e a dominante.

Tensão - intervalo de 9ª, 11ª ou 13ª somado a uma tétrade, que enriquece o acorde sem mudar a função dele.

Tétrade - acorde de quatro notas, formado pela sobreposição de mais uma terça sobre a tríade.

Tônica (função) - primeiro grau do campo harmônico, denota repouso e organiza os demais graus.

Tríade - acorde de três notas, a estrutura mais simples da harmonia.

Trítono - intervalo entre o quarto e o sétimo grau da escala maior, cuja resolução é o motor do sistema tonal.

12

PARA ONDE IR DEPOIS DAQUI

Você chegou ao fim do Mapa.

A partir de agora, quando abrir uma cifra ou uma partitura, você consegue dizer por que cada acorde está ali: qual a função dele, de onde ele veio e para onde ele puxa. Você parou de decorar sequência de acorde e passou a ler o caminho que o compositor tomou.

Ler o caminho é o primeiro passo. O segundo é escolher outro.

Rearmonizar é trocar os acordes de uma música por outros que dizem a mesma coisa de um jeito mais bonito, sem que a melodia perceba. É o que separa quem toca a música de quem assina o arranjo dela. E é assunto que só faz sentido depois que o mapa está na mão, porque para trocar um acorde você precisa saber exatamente qual função ele estava cumprindo.

Esse é o terreno do Segredos da Rearmonização, o curso mais avançado de harmonia que eu tenho, e o degrau natural depois deste material.

Se você chegou até aqui fazendo os exercícios, você já tem o pré-requisito.

Espero que esse material sirva como ferramenta para que você possa transformar tudo isso em música. A prática constante será o segredo daqui para frente, por isso pratique o Mapa com músicas do seu repertório.

Forte Abraço,

Rafael Oliva.

29 de agosto de 2026.